Fechar

Caravana da Pesca

Seja um usuário cadastrado e tenha acesso a conteúdo exclusivo
LOGIN
30/10/2011
por Ivo Mendes   
O BOM SENSO Imprimir E-mail

Piracema

Alguns rios, no outono de Curitiba, ainda não poluídos, se mostram piscosos em dias ensolarados, mais propriamente de outubro a abril, época em que os lambaris sobem das represas para desovar onde, tempos atrás, nasceram. É a piracema.

 Este fenômeno acontece em todos os rios do nosso país ou, afirmação mais exata, no mundo todo.

 Aqui, o IBAMA proíbe a pesca neste período, quando peixes como o dourado, o pintado, a piraputanga, a piapara e muitos outros, que chegam a percorrer mais de 300 quilômetros rios acima, tempo necessário para maturar as ovas e fortificar os sêmens - é permitida a captura apenas de cinco espécies, enquanto durar a piracema, dentro das medidas e pesos estabelecidos por este órgão governamental, mais um exemplar de qualquer peso.

 Na nossa região, o peixe de piracema mais conhecido é o lambari, sobre o qual não se tem conhecimento de uma fiscalização mais apurada, é pescado à vontade justamente quando sobe os rios para se reproduzir.

 Eu fico imaginando se fosse obedecida a lei sobre a sua pesca neste período de reprodução o quanto aumentaria a sua presença em nossos rios. Que beleza seria.

 É claro que não nos contentaríamos com cinco lambaris mais um como regulamenta o IBAMA. É inviável tal procedimento, cabível apenas às outras espécies de maior tamanho. Contudo, poderiam estabelecer dois quilos por pescador - costumamos nos contentar com setenta lambaris mais ou menos, o que já é uma porção mais do que suficiente para uma boa fritada. E todos eles pescados de modo normal: varinha, linha e anzol.

 Todavia, como em todos os departamentos da nossa vida social, alguns ditos pescadores amadores acometidos por insaciável cobiça, em ocasiões em que estes peixes se aglomeram no início de corredeiras na tentativa de sua preservação, se valem de tarrafas ou redes, e até, eu já vi, passam passaguás de malha fina e, em questão de minutos, enchem os samburás.

 É isso que se precisa proibir, machucando bem fundo no bolso destes pescadores irresponsáveis. Que graça tem o elemento gargantear que pegou cinco, dez ou mais quilos se na sua consciência está registrado que pescou de maneira errada. Onde fica o espírito esportivo? Isso não é pescar, é matar pelo prazer de matar. O peixe não tem chance.

 Naturalmente que ao pescarmos esportivamente também estaremos sendo predadores, sacrificamos o peixe. Só que estamos dando oportunidade aos lambaris de roubarem a isca. E ao cevarmos os pesqueiros estaremos alimentando os cardumes.

 Então, senhores fiscais do IBAMA, que tal uma campanha de conscientização ou uma fiscalização mais eficiente. Precisamos ter educação e bom senso até para pescar.

-----------

Por Ivo Mendes, pescador esportivo e poeta.

    

Comentários (0)Add Comment

Escreva seu Comentário
pequeno | grande

busy