O camarão-branco, Litopenaeus schmitti, possui ampla distribuição no Atlântico Ocidental, das Antilhas, Ilhas Virgens e Cuba, passando por Honduras, Costa Ocidental do Caribe, Venezuela e ao longo de toda costa atlântica da América do Sul, até o norte do Rio Grande do Sul no Brasil. Possui características anatômicas típicas de um Peneídeo e é a única espécie do gênero que ocorre em águas brasileiras.
Assim, a referida espécie foi o tema da dissertação de Mestrado de Jorge Luis dos Santos: "Pesca e estrutura populacional do camarão-branco, Litopenaeus schmitti (Burkenroad, 1936) na região marinha e estuarina da Baixada Santista, São Paulo, Brasil", apresentada ao Programa de Pós-graduação em Aquicultura e Pesca do Instituto de Pesca, sob a orientação do pesquisador científico Evandro Severino Rodrigues.
A dissertação objetivou caracterizar a estrutura da população e a pesca do camarão-branco no complexo baía-estuarino de Santos e São Vicente e áreas marinhas adjacentes a partir das capturas de espécimes na fase juvenil. Além de verificar variações no número de machos e fêmeas e possíveis correlações com parâmetros, visou também definir a época do recrutamento pesqueiro, caracterizar a(s) época(s) de maior intensidade da atividade reprodutiva e, assim, oferecer subsídios a medidas de ordenamento da pescaria do camarão-branco e proteção da espécie para a área de estudo.
Para caracterizar a estrutura populacional do camarão-branco na Baixada Santista, exemplares da espécie foram coletados do produto de arrastos efetuados nas regiões estuarina e marinha pela pesca artesanal e industrial, mensalmente, entre junho de 2005 e maio de 2006, totalizando 2.912 indivíduos, dentre os quais, 2.138 fêmeas e 774 machos.
Sobre a ictiofauna acompanhante da pesca do camarão-branco, nos produtos dos arrastos, 53 espécies distribuídas em 25 famílias, com peso total de 127,2 kg, foram registradas na área de mar aberto, com as maiores capturas ocorrendo no verão, e as menores, no inverno.
Parâmetros ambientais aferidos na ocasião das coletas permitem concluir que a temperatura da água e a pluviosidade influenciam diretamente a produção do camarão-branco e da ictiofauna. As variações temporais nas capturas, associadas à estrutura de comprimento de cefalotórax, por sexo, e à maturação gonadal de fêmeas permitem verificar que: o estuário é utilizado por indivíduos com comprimentos pequenos, a maioria jovens imaturos, como área de crescimento; a região marinha é utilizada por indivíduos maiores, adultos, com a desova ocorrendo entre junho e fevereiro, com pico de novembro a janeiro; e o comprimento de primeira maturação de fêmeas foi estimado em 15,8 milímetros.
De acordo com o estudioso, a captura de camarão-branco pela frota industrial direcionada ao camarão-rosa foi praticamente nula durante o período do estudo e os maiores desembarques de camarão-branco na região da Baixada Santista ocorreram entre maio e julho, coincidindo com os maiores desembarques realizados em outras localidades do Estado de São Paulo, demonstrando uma homogênea vulnerabilidade da espécie à pesca, provavelmente decorrente de uma homogeneidade comportamental em todo litoral paulista.
Jorge Luis também concluiu que existe uma lacuna de informações sobre a produção de camarão-branco proveniente da pesca estuarina na região da Baixada Santista, impedindo uma avaliação criteriosa dessa pesca que incide fortemente sobre a fase jovem do ciclo de vida do recurso, fato que pode comprometer o equilíbrio do recrutamento.
O Instituto de Pesca é vinculado à Apta (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
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Por Aline Lima, estagiária do Centro de Comunicação do Instituto de Pesca de SP
Revisão do texto: Márcia Navarro Cipólli
Imagem: www.labec.com.br
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