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Caravana da Pesca

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02/10/2009
por Odeir   
Pesca de Costão Imprimir E-mail

Pesca de Costão

A pescaria de costão é muito empolgante com a possibilidade de captura de grande variedade de espécies de peixes, porém requer muitos cuidados em relação à segurança, às condições metereológicas e conhecimentos sobre equipamentos, iscas, peixes desejados e locais de pesca.

Os costões preservados reúnem grande variedade de vida marinha tanto nas areias e pedras da superfície como em baixo d'água, como vermes, algas e outros microorganismos que atraem crustáceos (caranguejos, siris, camarões, corruptos, tatuís, baratinhas-de-praia, cracas), moluscos (caramujos, lesmas, mexilhões, vieiras, polvos, ostras) e peixes pequenos e grandes, formando um completo círculo alimentar. Com as constantes batidas de ondas nas rochas e o sobe e desce das marés, grande variedade de peixes visita ou habita os costões em busca de comida farta.

 

Nos locais com grande concentração de pedras no fundo são comuns encontrarmos garoupas, badejos, marimbás, caranhas, sargos, salemas, sernambiquaras, marias-da-toca, piranjicas, moréias, enxadas, jaguareças, bodiões, sargentos, entre outros. Já próximos de rochas isoladas com fundo de cascalho ou areia podem ser fisgados pampos, betaras, robalos, pescadas, corvinas, miraguaias, paratis-barbudo e outros. Cardumes de anchovas, xaréus, xareletes e espadas também costumam frequentar os costões.

Sempre que for pescar em costões, além do equipamento de pesca, alimentos e água, leve kit de primeiro socorro, calçado com solado antiderapante, protetor solar e colete salva-vidas. Também não se esqueça de consultar a meteorologia sobre temperatura, altura das ondas e velocidade dos ventos, principalmente se for pescar em ilhas afastadas da costa. O embarque e desembarque de barcos nas ilhas com costões geralmente são feitas em pequenas praias ou ao lado de pedras, com o mar agitado a dificuldade aumenta, podendo causar acidentes.

A pescaria em costão requer alguns cuidados e boa resistência física, pois os melhores pesqueiros normalmente são os mais distantes e com as maiores dificuldades. O pescador tem que levar uma mochila pesada com alimentos e apetrechos de pesca, além das varas de pesca, o que complica ainda mais a sua locomoção entre as pedras. Um salto errado entre as perigosas pedras pode resultar em graves acidentes, podendo levar à morte. Na hora da pescaria, o perigo continua ao lado do pescador, que são as ondas do mar, os limos e as cracas nas pedras. Qualquer distração, o tombo e o ferimento são certos.

Equipamento:

A formação do conjunto para pescar no costão vai depender da profundidade, arrebentação, força da corrente da maré, formação do solo, vento e peixes idealizados. Uma coisa é certa! Não pode querer economizar em chumbos, anzóis, líderes e linha, pois a probabilidade de perdas é muito grande. Além de boa parte dos peixes, quando fisgados, procurarem tocas e fendas na grande barreira de pedras para se refugiarem, há ainda a favor do peixe as fortes ondas e o paredão da rocha até chegar ao pescador.

O ideal é o pescador levar para o costão no mínimo dois conjuntos de pesca. Um  com vara de 3 a 4 metros, pesada (20 - 30 libras), casting de 100 a 150 gramas e ação rápida, montada com molinete ou carretilha reforçada de tamanho médio com pelo menos 100 metros de linha monofilameto ou multifilamento de resistência equivalente à vara. Um líder fluocarbono 0,60 mm com 6 metros de comprimento diminui a perda de linha nas pedras. O outro conjunto pode ser uma vara de 3 a 4 metros, extra-pesada (30 - 50 libras), casting de 100 a 200 gramas e ação rápida ou extra-rápida, montada com molinete ou carretilha reforçada de tamanho grande com pelo menos 100 metros de linha monofilameto ou multifilamento de resistência equivalente à vara atada a um líder fluocarbono 0,90 mm com 6 metros de comprimento.

O equipamento pesado pode ser usado com anzol 1/0 ou 2/0 com iscas pequenas à procura de peixes até 5 kg, ou seja, maior atividade de ações. O chumbo oliva solto na linha aumenta consideravelmente a sensibilidade na hora da batida do peixe. Mas se o fundo for de cascalho pode usar um girador triplo com 40 cm de linha 0,55 mm para o anzol e 60 cm de linha 0,40 mm atar num chumbo tipo gota. No caso de fundo de areia, use o mesmo sistema mudando apenas o chumbo por pirâmide. A linha mais frágil no chumbo serve para não perder o peixe se por acaso a chumbada enroscar numa pedra.

A vara extra-pesada pode ser usada com anzol 5/0 ou 6/0 com iscas grandes à procura de peixes grandes. O conjunto pode ficar no secretário, montado com chumbo oliva solto na linha esperando a batida de um bom troféu. No caso se o alvo for garoupas e badejos, deve-se ficar com a vara na mão para não deixar o peixe entocar na hora da fisgada.

Iscas:

Para pescar nos costões algumas iscas artificiais dão bons resultados, porém as naturais, principalmente as encontradas no habitat do peixe são infinitamente melhores. Quando há cardumes de anchovas, xaréus, xareletes e espadas frequentando o costão, os jumping jigs e iscas de meia água trabalhados de forma rápida rendem boas brigas. Na parada na maré, camarões artificiais com cabeça de jig e pequenos shad's trabalhados com toques de ponta de vara podem fisgar sargos, pampos, robalos e corvinas.

As iscas naturais comumente usadas nos costões são: camarão vivo e morto, caranguejo, siri, corrupto, polvo, lula, sardinha, parati, bonito, tatuíra, baratinha-de-praia, minhoca-de-praia e mexilhão. Boa parte dos peixes de pedras possuem forte dentição para quebrar a carapaça e a casca de mexilhões.

Segue alguns tipos de peixes e as iscas que mais dão resultados:

Sargo e salema: camarão vivo e morto, caranguejo (pequeno inteiro ou partes do corpo semi-triturado), tatuíra, corrupto, baratinha-de-praia, minhoca-de-praia e mexilhão (semi-triturado).

Marimbas e piranjicas: camarão vivo e morto, tatuíra, caranguejo (pequeno inteiro), corrupto, baratinha-de-praia, minhoca-de-praia e mexilhão (semi-triturado), lula.

Sernambiquara: camarão vivo, caranguejo (pequeno inteiro ou partes do corpo semi-triturado), tatuíra, corrupto e mexilhão (semi-triturado).

Badejos-mira: camarão vivo, corrupto e lula.

Jaguareças: camarão vivo e morto, corrupto, minhoca-de-praia e lula.

Pampos: camarão vivo e morto, corrupto, tatuíra, minhoca-de-praia e lula.

Miraguaias: camarão vivo, caranguejo, siri (ovado), corrupto e tatuíra.

Espadas: lula, sardinha, parati (filé), bonito (filé).

Anchovas: Polvo (tiras), lula, sardinha, parati (filé), bonito (filé).

Garoupas: camarão vivo, caranguejo (pequeno), corrupto, polvo, lula, sardinha, parati, bonito (filé).

Robalos: camarão vivo, corrupto e minhoca-de-praia.

Corvinas: camarão vivo e morto, corrupto, polvo (tiras), lula, sardinha (pedaços), parati (tiras de filé), bonito (tiras de filé) e minhoca-de-praia.

Como capturar sua própria isca

Caranguejo: A espécie guaiá é a que proporciona os melhores resultados na pescaria. A sua captura é feita na própria ilha de costão na maré seca. Ele vive entre os vãos de pedras próximas à água. Manualmente é muito difícil sua captura, os pescadores usam uma espécie de arpãozinho para retirá-lo das fendas.

Siri: O pequeno siri-fantasma de areia de praia é capturado com o passaguá e à noite com a ajuda da lanterna. Já o siri do mar é capturado com o puçá e isca. O siri ovado é uma das melhores iscas para as grandes miraguaias.

Baratinha-de-praia: É capturada entre as pedras do costão com uma espécie de redinha de caçar borboleta. O ideal é deixar um pouco de isca (pedacinhos de camarão e sardinha) na rocha para atraí-la.

Corrupto: Vive em galerias cavadas nas areias finas das praias rasas. A sua captura é realizada com uma bomba de sucção, principalmente na maré seca. Os corruptos são localizados na parte úmida da praia, onde aparecem pequenos buracos de onde saem pequenos esguichos de água e areia nas descidas das ondas.

Tatuíra: Habita praias de tombo com areias grossas. A sua localização é feita no momento em que a onda do mar esta voltando. A pessoa ao avistá-la, tem que agir rapidamente cavando com as mãos no local em que ela afundou na areia. É bom continuar cavando na redondeza que sempre encontra mais de uma tatuíra.

Minhoca de praia: Vive em praias rasas e de areias firmes. São encontradas na maré seca na faixa de areia próximo à água. Sua captura é feita com atrativo, ou seja, isca de sardinha ou outro peixe que exala bem o cheiro. Ao passar o peixe perto de sua galeria, ela saíra alguns centímetros da toca para comer o peixe. Nessa hora, com os dedos em forma de pinça segure-a e puxe-a devagar. Ela pode ultrapassar um metro de tamanho.

Camarão: É capturado pelos ribeirinhos arrastando a tarrafa tipo gerival.

As outras iscas mortas são encontradas em boas peixarias.

Boas pescarias.

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