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Caravana da Pesca

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12/07/2010
por Ivo Mendes, pescador, poeta e escritor.   
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Caçador

Vocês não imaginam o que se escuta quando grupos de pescadores se reúnem e formam uma roda de conversas. É de trincar. Os causos, as histórias, os relatos sobre pescarias e peixes se sucedem um mais estrambótico que o outro. E o desenrolar das aventuras faz jus à fama destes intrépidos aventureiros: noventa e nove vírgula nove por cento é invenção. É incrível, em apenas zero vírgula um por cento se pode dar crédito, é verdadeiro.

Só para se ter ideia da fantasiosa e fértil imaginação deste pessoal, relataremos o seguinte caso contado por um destes "pegadores" de peixes.

O fulano (deixamos de citar nomes para não constranger o nosso personagem) estava passando uma temporada na fazenda de um amigo no Mato Grosso. O fazendeiro, para agradar os convidados, ordenou a um dos peões, exímio caçador da região, que fosse matar umas pacas e pediu ao amigo em questão que levasse o caçador ao outro lado do rio, que banhava a propriedade, onde o mateiro faria um jirau (estrado de varas onde os caçadores ficam de tocaia à espera da caça).

O nosso nobre narrador assim o fez. Ao chegar no ponto escolhido, mal o barco encostou na margem oposta, uma onça preta saiu de trás de uma árvore arreganhando os dentes para os corajosos caçadores. Por sorte o motor do barco ainda estava ligado e foi só dar a ré e escapar do perigo.

- Voltemos pro outro lado, lá é mais seguro - exclamou o caçador.

Na outra margem, menos perigosa, foi feita a plataforma onde o peão ficaria de tocaia. O dia já estava no seu término e ficou tratado que o piloteiro esperaria apoitado em algum poço, onde poderia pescar durante a vigília do caboclo. Quando ouvisse três tiros poderia se aproximar que o serviço estaria feito.

O nosso amigo ficou pescando e não demorou muito, o primeiro tiro. Aproximadamente uma hora após, outro tiro. E não demorou, o terceiro.

Ao chegar ao local combinado, lá estava o atirador com três pacas.

Dizia, o nosso contador de histórias, que as pacas, de tão grandes, pareciam capivaras e tinham pulgas (é, pulgas, bicho do mato também tem pulgas) do tamanho de abelhas.

Foi a conta, a roda dos pescadores explodiu numa gargalhada só, e o nosso amigo quase não pode contar que, enquanto esperava, pegou três pintados de mais de cinquenta quilos cada e que teve que fazer quatro viagens para transportar os peixes e as pacas gigantescas.

Enquanto a turma ria às gargalhadas, o coitado protestava afirmando:

- É verdade! Não é invenção não! É fato mesmo. Aconteceu!

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Por Ivo Mendes, pescador, poeta e escritor.

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