Fechar

Caravana da Pesca

Seja um usuário cadastrado e tenha acesso a conteúdo exclusivo
LOGIN
08/07/2010
por Ivo Mendes pescador, poeta e escritor.   
NA BEIRA DO FOGO Imprimir E-mail

Fogueira

 

 

 

Se debruça de vez,

sobre a margem do rio,

o manto da noite.

Balança a chaleira

no ferro do tripé.

Lhe lambem o bojo,

línguas de fogo,

fervendo a água

pra fazer o café.

Cada um,

espeto na mão,

vai dourando a linguiça

de ponta enfiada,

enquanto as narrativas

da última pescaria

fazem roda:

-    E o peixe era assim,

desse tamanho...


Os braços abertos,

de infantil imaginação,

espicham o baita,

que, na verdade,

nem chegava

a palmo e meio.

É um sobre o outro

querendo vantagem.


Na chaleira,

se cala o chiado.

Silêncio de vozes...

Só o crepitar da fogueira

e o murmurejar do rio.

É o pensamento

que busca

Nova história a contar...

Ou é a lembrança da casa,

dos filhos,

da esposa...

Ao longe uiva o guará,

e desperta outra aventura:

-    Era assim...

Desse tamanho...


O pacote de pão

passa de mão;

e o café,

à moda tropeiro,

sem coar e com tição,

fumaceia a caneca esmaltada.


Pão com linguiça,

linguiça com pão...

É o sono chegando,

o peixe esperando

o dia amanhecer...

------

Por Ivo Mendes pescador, poeta e escritor.

Comentários (0)Add Comment

Escreva seu Comentário
pequeno | grande

busy