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Se debruça de vez,
sobre a margem do rio,
o manto da noite.
Balança a chaleira
no ferro do tripé.
Lhe lambem o bojo,
lÃnguas de fogo,
fervendo a água
pra fazer o café.
Cada um,
espeto na mão,
vai dourando a linguiça
de ponta enfiada,
enquanto as narrativas
da última pescaria
fazem roda:
-Â Â Â E o peixe era assim,
desse tamanho...
Os braços abertos,
de infantil imaginação,
espicham o baita,
que, na verdade,
nem chegava
a palmo e meio.
É um sobre o outro
querendo vantagem.
Na chaleira,
se cala o chiado.
Silêncio de vozes...
Só o crepitar da fogueira
e o murmurejar do rio.
É o pensamento
que busca
Nova história a contar...
Ou é a lembrança da casa,
dos filhos,
da esposa...
Ao longe uiva o guará,
e desperta outra aventura:
-Â Â Â Era assim...
Desse tamanho...
O pacote de pão
passa de mão;
e o café,
à moda tropeiro,
sem coar e com tição,
fumaceia a caneca esmaltada.
Pão com linguiça,
linguiça com pão...
É o sono chegando,
o peixe esperando
o dia amanhecer...
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Por Ivo Mendes pescador, poeta e escritor.
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