É muita chuva. Todos os dias. Ninguém pesca neste quatro de junho. E isso até é bom: os peixes têm mais chance de uma maior reprodução. É aquele velho ditado popular: "Deus escreve certo por linhas tortas".
O que não concordamos, amigo leitor, pois temos a absoluta convicção que Ele escreve é certo por linhas mais do que certas, nós é que as entortamos.
Junto à janela, olhamos o horizonte, que em dias ensolarados se estende a perder de vista ou até onde a nossa visão já um pouco cansada alcança, e avistamos, desconsolados, este mesmo horizonte agora impreciso e triste. Do rádio, escutamos o último boletim metereológico: chove em todo o Paraná.
Mais um sábado e domingo sem pescarias. É a escrita certa por linhas diretas aumentando os peixes em nossos rios e lagos. Console-se, prezado leitor e pescador, pelo menos para isso serve este mau tempo.
Observando ainda o horizonte enfumaçado, a chuva fina parece fumaça, pensamos no que fazer: Revisar as tralhas? Trocar as linhas das telescópicas e dos molinetes? Ler um livro? Sempre há o que fazer. Optamos por escreve esta crônica.
De repente, vozes alegres soam pela casa silenciosa espantando a tristeza trazida pela chuva. São os netos que chegam. Hoje eles não têm aulas - o feriado de "Corpus Christi" se alonga pelo fim de semana.
Era para irmos pescar, mas a chuva não deixa. E os alevinos crescendo para dias futuros e ensolarados. Mais peixes em outras pescarias.
- Vovô! Vovô! - chegam eles gritando.
A primeira pergunta: "Vovô, vamos pescar?"
Como se, com uma resposta mágica, o tempo mudasse num instante. Nos corações infantis a esperança nunca morre. Que bom se fosse assim com os adultos.
Respondemos moÃdos de pena:
- Não dá! Olha a chuva.
- E o que vamos fazer vovô?
São quatro netos. O menor com quase sete e o mais velho com quase treze; no meio, um de sete e outro de onze anos. A diferença de idades requer um esforço psicológico para contentar a todos. O mau tempo, além de não nos permitir a pescaria, nos confina a quatro paredes; e são quatro meninos presos dentro de casa.
A solução é coleção de DVDs. Mas, ainda a dificuldade da escolha, contentar os quatro é difÃcil - bem mais fácil é a beira do rio.
Apesar da discussão pela escolha do filme, chegamos a um consenso: "A Pantera Cor de Rosa" (desenho) que agrada dos seis aos mais de sessenta anos.
Ótimo, tudo resolvido. E enquanto a Pantera apronta com o enrolado inspetor francês, consideramos, como consolo, que ninguém está pescando, porque, com um tempo desses, só algum louco.
- Será?
Em tempo: o domingo, dia seis, foi inteiro ensolarado.
Por Ivo Mendes
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